A notícia do Correio Popular informa que a Prefeitura dará orientação técnica para a expansão da Moradia Estudantil da Unicamp. O papel aceita tudo, mas o asfalto e o bolso do contribuinte estadual sentem o tranco.
O “caminho do fretado”: a mobilidade por decreto
A conta não fecha: Como o terreno é longe, a universidade depende de um caríssimo transporte fretado para levar os estudantes.
O custo do contribuinte: Esse “Uber gigante” pago pelo Estado terá que ser ampliado, custando ainda mais para quem paga impostos.
É o urbanismo da ilha: você cria um núcleo habitacional isolado e depois tenta consertar a falha com mais ônibus no trânsito já caótico de Barão Geraldo.
A ironia do diploma
O que mais me diverte nessa história — se é que dá para rir — é que a Unicamp oferece graduação em Arquitetura e Urbanismo.
Será que os professores da faculdade são consultados sobre esses projetos anacrônicos? Porque, na teoria, eles ensinam cidades compactas e sustentáveis. Na prática, a universidade insiste em um modelo de expansão que parece ter parado na década de 70.
Enquanto isso, o campus de Barão Geraldo é um monumento ao baixo uso territorial. Temos um oceano de asfalto servindo de estacionamento para automóveis, enquanto a mobilidade ativa (bicicletas e caminhadas) e o transporte público são tratados como coadjuvantes de luxo. Sobra espaço para carro, falta prioridade para gente.
A prefeitura e o carimbo amigo
Não se enganem com a “orientação técnica” da Secretaria de Urbanismo. A tendência é que a Prefeitura aprove tudo com um sorriso no rosto.
O transporte sustentável está longe de ser a meta dessa gestão.
O histórico é claro: aprovação de condomínios fechados a toque de caixa e mudanças de zoneamento por “conveniência”, se o interesse for grande o suficiente.
A Unicamp, que deveria ser o farol da inteligência urbana para Campinas, continua contribuindo negativamente para a mobilidade de Barão Geraldo. Em vez de integrar e densificar o campus de forma inteligente, prefere o modelo de “espalhamento” que só gera mais trânsito e mais custo.
Depois da linha “zigue-zague” e dos ônibus maquiados na garagem, agora temos o “urbanismo fretado” da Unicamp. É a elite intelectual da cidade repetindo os mesmos erros da gestão municipal: o improviso elevado ao status de “projeto técnico”.
Barão Geraldo continuará sendo um nó cego no trânsito, e a universidade continuará sendo uma vizinha que, em vez de ajudar a desatar a corda, traz mais um pedaço de barbante para complicar.





