A história de Campinas mostra que a cidade está abandonada por quatro governos consecutivos. Depois de ter grandes líderes, a falência do transporte público campineiro é a maior janela de uma periferia sem governo.
Durante o monopólio da Cia. Campineira de Transportes Coletivos, mais conhecida pela sigla CCTC, de propriedade da Viação Cometa S/A ainda da época do sr. Major Tito, a situação já não era das melhores.
A empresa costumeiramente comprava lotes de novos ônibus e deixava estocado até que a prefeitura aumentasse o valor da tarifa. Isso foi até o início dos anos 80, quando o então prefeito Francisco Amaral acabou com o monopólio da CCTC e regularizou as demais viações que operavam em rotas rejeitadas pela concessionária.
Para a cidade em geral, o fim do monopólio da CCTC foi benéfico pois a periferia passou a contar com um transporte regularizado, com tabelas horárias e as mesmas exigências que a então monopolista.
Em 1986, depois de uma greve que parecia interminável, o então prefeito Magalhães Teixeira decretou intervenção na Viação Campos Elíseos, que se encontrava com uma frota bastante precária, colocando os passageiros em risco.
Três anos depois, os empresários do setor decretaram locaute e abandonaram a cidade de forma sumária, deixando a população sem ônibus. A prefeitura requisitou a frota à força, ocupando as garagens e levando às ruas os veículos que sobraram.
O mesmo aconteceu com a intervenção na Viação Campos Gerais, que estava com serviço precaríssimo e suspeitas de desvio de financiamento público para renovação de frota.
As decisões de pulso firme fizeram Campinas viver seu auge no transporte entre 1990 e 1994, inclusive com a municipalização de parte dos serviços com a intervenção na TUGRAN e a instituição da Emdec como empresa operadora na região do Campo Grande.
Após a invasão do transporte clandestino em 1997, o transporte campineiro voltou a viver momentos nefastos, o que foi resolvido apenas em 2001, com o pulso firme do então prefeito Antonio da Costa Santos. Uma nova frota chegou e o transporte voltou a respirar aliviado.
A continuidade durante o governo Hélio foi certeira, com a licitação de 2005 e a reorganização do sistema. O transporte entrou em declínio a partir de 2015.
Usado muitas vezes como pano de fundo para os governos, desde a gestão de 2013 nunca mais o transportre foi o mesmo. Entregas de novos ônibus foram suspensas, mudanças pífias e atendimentos apenas a demandas de vereadores da base.
A situação piorou durante o atual governo, com uma EMDEC inerte e um transporte caótico, jogando toda a conta numa licitação sob suspeita de irregularidades, deixando a população na mão. Nenhuma providência é tomada, a EMDEC não faz nada a respeito, o prefeito se cala, os vereadores não se mexem e a licitação naufraga como manteiga derretendo.
É possível sim fazer muita coisa com as atuais concessionárias. Reorganizar o sistema e deixá-lo mais lógico resolveria grande parte dos problemas, mas a prefeitura focou apenas na frota, como se ônibus novo resolvesse os problemas, colocando a conta na quase fracassada licitação.
Em uma cidade séria, já seria possível abrir um processo por improbidade administrativa, já que há uma clara omissão de suas responsabilidades por não resolver os problemas da cidade. Mas com uma Câmara subserviente aos interesses próprios, a cidade continuará sem prefeito.
Além disso, para completar o cenário de abandono, os piscinões vão atrasar, conforme previsto. Não é possível que em uma cidade séria haja um secretariado tão incompetente e com a bênção do prefeito. Todas as obras sob o comando da Seinfra atrasaram e continuam atrasando, e ninguém se mexe. Que tal uma investigação pela Câmara, que tem o dever de fiscalizar o Poder Executivo? Ah, e o medo de um figurão político não deixa…
Pobre Campinas… Sem prefeito, sem EMDEC, sem transporte, sem futuro.
Da Redação ODC.
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