20 mitos e verdades sobre a dengue: veja como se prevenir em Campinas

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A Secretaria de Saúde de Campinas preparou um material com 20 mitos e verdades sobre a dengue com objetivo de esclarecer as dúvidas mais frequentes da população para medidas de combate e prevenção à doença. O material visa ampliar as orientações diante do contexto de alerta para possível aumento expressivo do número de casos em 2024.

A cidade declarou epidemia em abril e já registrou neste ano 10.801 casos confirmados e três óbitos pela doença. O cenário pode piorar se houver reintrodução dos vírus tipos 3 e 4, não registrados localmente há 14 anos e nove anos, respectivamente, mas que já causaram infecções em outros municípios em 2023. Desta forma, os grupos mais vulneráveis são crianças, adolescentes e adultos que não tiveram contato com a doença antes.

Há risco de dengue grave quando uma pessoa é infectada por um tipo diferente ao anterior.

Confira abaixo se você tem dúvidas e fique por dentro com as explicações do coordenador do Programa de Arboviroses e Zoonoses de Campinas, Fausto de Almeida Marinho Neto.

1) Quem já teve dengue não fica doente de novo.

MITO. No Brasil existem, até o momento, quatro sorotipos diferentes do vírus da dengue e cada um deles pode gerar um quadro da doença, ou seja, pode-se pegar dengue quatro vezes.

2) A dengue grave ocorre somente em quem contrai a doença mais de uma vez.

MITO. Os quadros de dengue grave, que podem levar às alterações hemorrágicas, podem ocorrer por diversos fatores e não somente em quem tem mais de um quadro da doença por diferentes sorotipos.

3) O mosquito só se reproduz em água limpa.

MITO. Apesar da preferência por água limpa, com o passar do tempo o mosquito Aedes aegypti se adaptou e atualmente pode utilizar água suja para se reproduzir, como, por exemplo, água de bocas de lobo, fossas, cisternas, etc.

4) A dengue é contagiosa.

MITO. A dengue não passa de pessoa para pessoa. A transmissão se dá pela picada do mosquito infectado com o vírus.

5) Repelentes afastam o mosquito da dengue.

VERDADE. O uso de repelentes pode afastar os mosquitos, porém, essa é uma medida de proteção individual e com eficácia variável. O correto é eliminar as fontes de reprodução dos mosquitos, ou seja, não ter água parada disponível como criadouro. Desta forma, a pessoa se protege e cuida de todos ao seu redor.

6) Velas e incensos ajudam no combate ao mosquito.

MITO. Velas e incensos podem afastar o mosquito, mas não combater. Além disso, o raio de ação é muito pequeno, sendo um método ineficiente.

7) O mosquito da dengue só pica durante o dia.

MITO. O mosquito pica principalmente durante o dia, no início da manhã e no final da tarde, mas se tiver oportunidade também vai picar à noite.

8) Não existem remédios para curar a dengue.

VERDADE. Em caso de suspeita de dengue, o importante é repousar e se hidratar. Deve-se sempre procurar um profissional de saúde para o diagnóstico e manejo clínico. Os remédios são para aliviar alguns sintomas, como dor e febre.

9) O uso de alguns medicamentos precisa ser revisto em caso de suspeita de dengue.

VERDADE. Por isso, é importante consultar um profissional de saúde para fazer essa reavaliação, principalmente nos casos de medicamentos anticoagulantes ou que elevam o risco de sangramentos.

10) Os sintomas da dengue são parecidos com gripe e covid-19.

VERDADE. Sintomas como febre, dor de cabeça e dor no corpo são comuns no início dessas doenças.

11) Ter boa alimentação garante imunidade contra a dengue.

MITO. A alimentação saudável e ingestão de muita água garantem uma melhor qualidade de vida, podem prevenir doenças e fortalecer o sistema imunológico, mas não evitam a dengue. Lembrando que, via de regra, podemos contrair dengue quatro vezes na vida pois há quatro sorotipos diferentes.

12) Ar-condicionado e ventilador protegem contra o mosquito.

MITO. Apesar de não proteger, são grandes aliados. Ambientes climatizados podem afastar os mosquitos porque eles preferem temperaturas mais altas. Dependendo da distância, o vento também pode ser um incômodo que dificulta o vôo do mosquito. Verifique semanalmente a coleta da água de drenagem do seu ar-condicionado e climatizador, pois o acúmulo de água nesses aparelhos pode ser um criadouro para o mosquito.

13) Os mosquitos da dengue não chegam até andares mais altos.

MITO. Muitas pessoas imaginam que o mosquito não alcança andares mais altos. Se dependesse apenas do seu raio de voo, até poderia ser uma verdade. Porém, o vento, o pouso em uma pessoa ou mesmo o elevador podem contribuir para o seu deslocamento.

14) Existe vacina contra a dengue somente na rede particular.

VERDADE. Até o presente momento há vacina contra a dengue disponível apenas na rede particular, contudo, o Ministério da Saúde incorporou uma vacina contra a doença no Programa Nacional de Imunização e Campinas aguarda as orientações oficiais.

15) A hidratação é fundamental no tratamento da doença.

VERDADE. Na dengue há o extravasamento do líquido de dentro dos vasos sanguíneos e a hidratação, via oral ou venosa, é importante para repor essa perda. Portanto, se você apresentar sintomas de dengue, siga as orientações médicas e tome as quantidades de líquido adequadas.

16) O combate ao mosquito é somente dever do poder público.

MITO. É dever do poder público trabalhar de forma integrada com todos os seus setores, porém, isso deve ocorrer em conjunto com a população. Os criadouros do mosquito podem estar nos espaços públicos e privados. É dever de todos cuidar da casa, pelo menos uma vez por semana, para ajudar a diminuir os ovos e larvas do Aedes aegypti e, consequentemente, os mosquitos.

17) Durante as estações frias os cuidados com a dengue podem diminuir.

MITO. Nessas estações mais frias e secas, o ciclo de vida do mosquito se torna mais longo devido ao seu metabolismo. Na ausência de água, o ovo pode durar até 18 meses no ambiente. Então na estação mais fria devemos aproveitar para nos desfazermos do que não usamos e que pode juntar água na próxima estação. Com a dengue não se brinca e o ideal é manter os cuidados o ano todo.

18) Dengue é um problema de saúde pública exclusivo de Campinas.

MITO. A dengue ocorre em regiões onde há a presença de vetores para a doença e que têm a característica de clima tropical com oscilações entre dias quentes e chuvosos. Há casos de dengue registrados em todos os estados do Brasil.

19) A dengue é uma doença comum nos animais de estimação.

MITO. Os cães e gatos podem até serem picados pelo mosquito, mas o homem é o principal hospedeiro vertebrado do vírus da dengue.

20) Moradores com suspeita de dengue e sintomas leves devem procurar inicialmente os hospitais da Rede Mário Gatti.

MITO. Caso o morador tenha febre e mais dois sintomas associados (dor de cabeça, dor no corpo, náusea, vômito, manchas no corpo, dor articular, dor atrás dos olhos), ele deve procurar, preferencialmente, um centro de saúde de Campinas para receber atendimento médico e monitoramento. Por outro lado, se apresentar tontura, dor de barriga muito forte, vômitos repetidos, suor frio e sangramentos, a busca por auxílio deve ser feita em pronto-socorro de hospital da Rede Mário Gatti ou em UPA.

Comitê de prevenção

Em 2015, a Prefeitura criou o Comitê de Prevenção e Controle das Arboviroses, que neste ano passou a se chamar Comitê Municipal de Enfrentamento das Arboviroses e Zoonoses. “Estamos extremamente preocupados e o Comitê está em condições para enfrentamento nos próximos meses”, afirmou Furtado.

O grupo reúne 14 secretarias: Governo; Saúde; Educação; Serviços Públicos; Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; Gestão e Desenvolvimento de Pessoas; Administração; Comunicação; Trabalho e Renda; Esportes e Lazer; Cultura e Turismo; Habitação; Relações Institucionais, e Assistência Social, Pessoa com Deficiência e Direitos Humanos. Também participam Defesa Civil, Serviço 156, Rede Mário Gatti, Setec e Sanasa.

No comitê é discutida a situação epidemiológica da cidade e, com isso, são desencadeadas as ações intersetoriais e apoio para as ações da Secretaria de Saúde. Mais informações estão no site: https://dengue.campinas.sp.gov.br.

As informações são da Prefeitura de Campinas.
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