Dário, que recusou quase R$ 1 bi pra trocar ônibus, diz que culpa do transporte ruim é de Brasília

O prefeito Dário Saadi deu uma declaração completamente descabida nesta última quarta-feira, durante discurso no Fórum de Dirigentes de Transporte, que ocorre em Campinas.

Durante seu discurso, Dário disse que a culpa do transporte coletivo estar ruim na cidade é do Governo Federal, pois não manda verbas para implantação de melhorias.

Esse discurso não tem o menor cabimento. Ou ele se esqueceu que o governo enviou quase R$ 1 bilhão para o financiamento de 512 ônibus, sendo metade deles elétricos.

A Emdec, cujo comando foi nomeado por Dário, na ocasião disse que “não poderia fazer o financiamento pois não teria como dar garantias”, já que se trata de financiamento e não doação a fundo perdido.

Além de tudo isso, Dário deve ter se esquecido que o BRT da cidade foi construído com verba majoritariamente federal, através da Caixa Econômica Federal.

Também se esqueceu que houve envio de verba para a construção do Terminal Amarais e do Terminal Campo Belo, além de outras ações que estão em andamento.

O discurso de Dário mostra uma total falta de conexão com a realidade e ainda tenta se isentar de qualquer responsabilidade sobre o péssimo transporte da cidade que gerencia.

O processo licitatório do transporte público está sob suspeita e já está em descrédito popular. Dário e Vinicius Riverete, presidente da Emdec nomeado pelo chefe do Executivo, fazem discursos cada vez mais descabidos.

Tentando passar uma tranquilidade que não existe, a Emdec ainda disse o absurdo de que os “prazos da licitação estão sendo cumpridos” e que a transição poderá levar “até 14 meses”.

Tais prazos não tem o menor cabimento. Está cada vez mais claro um possível direcionamento do processo, já que o prazo total máximo somado de acordo com a licitação seria de 240 dias. Agora, já se fala em 425 dias.

O prazo de análise documental, agora sem data, gera suspeita de acordo prévio, pois dessa forma as empresas vencedoras teriam mais tempo para poder assumir, mesmo com todas as irregularidades em investigação.

O ODC foi o primeiro veículo de comunicação a questionar a capacidade de operação das vencedoras dentro do prazo estabelecido em edital. Diante de tal fato, a Emdec agora inventa prazos inexistentes para avalizar um erro.

O direcionamento de licitação é crime. As empresas que participam de um certame devem ter ciência dos prazos a serem cumpridos. Se a municipalidade dá uma “ajuda”, prejudica toda a concorrência.

Agora, Dário precisa sair de cima do muro e assumir seus erros, ou vai continuar pintando uma cidade que não existe? Vinicius Riverete foi no mesmo caminho, e agora tenta se agarrar ao cargo para não “cair” depois da licitação.

Da Redação ODC.
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