- “Denúncias” se intensificaram após visitas a garagem de vencedor do certame
- Documento da Prefeitura omite suspeita em leilão da licitação do transporte de Campinas
- Diligências não encontram 80% dos endereços de vencedora da licitação, mas mesmo assim são aprovadas
As análises documentais da licitação do transporte coletivo de Campinas deixaram várias brechas para questionamentos. Uma delas é a insistência da Emdec em dizer à imprensa que a B3 “avalizou” o certame.
A ata da B3 a respeito da licitação diz apenas se as empresas participantes do leilão estavam aptas ou não, se entregaram os documentos necessários e se deram as garantias exigidas.
Em nenhum momento a B3 fez análise aprofundada de documentos para dizer se alguém está apto ou não a operar na cidade, até porque isso deveria ser de competência da própria Emdec.
Diante de tantas denúncias de irregularidades, a Emdec não tem mais lisura suficiente para qualquer análise, devendo declarar-se suspeita e chamar uma auditoria externa para tal.
Os documentos enviados pelas empresas vencedoras do leilão possuem diversas inconsistências. Apesar de previsto em edital, a Emdec precisou pedir correção dos documentos por mais de uma vez, sobretudo ao Consórcio Grande Campinas.
De acordo com os documentos enviados, foram necessárias cinco correções documentais pelo Consórcio Grande Campinas e quatro pela Sancetur. As dúvidas e erros são dos mais diversos itens, desde valores até preenchimentos básicos incorretos.
O que mais chamou a atenção foi a superficialidade das chamadas “diligências” realizadas pela Emdec nos endereços ligados às empresas que fazem parte do Consórcio Grande Campinas.
No documento, assinado por um procurador do município, os problemas são muitos, mas mesmo assim deu-se visto positivo para que o processo licitatório continue indo em frente.
Os problemas sobre os endereços da empresa WMW são muitos. Apenas o endereço de Arujá, na Avenida João Manoel, foi confirmado pela equipe da Polícia Civil. Os endereços de Guarulhos não tiveram pessoas ligadas à empresa localizados.
Em relação à Rhema, houve problema no endereço de Louveira, pois ninguém conhecia alguém da empresa no local. Na mesma via, na Rua Antonio Chicalhoni, havia indicação de outro endereço, mas também sem conhecimentos.
Em Paulínia o local estava sem operação da empresa há pelo menos dois meses. Em Campinas, o endereço do sócio da Rhema, na Rua Cerquilho, também ninguém conhecia a pessoa ligada ao local.
Mesmo diante de tantos problemas, a prefeitura de Campinas alegou que tanto a Rhema quanto à WMW, indicaram outros endereços, porém divergentes (ponto não indicado no documento), indicando operacionalidade e que isso já seria o suficiente.
Já os endereços dos sócios não foram divulgados pela prefeitura no documento pelo seguinte motivo: “…por razões de segurança pública, que contratos sociais de empresas de maior porte não indiquem o endereço residencial real dos sócios, mas sim endereços de unidades da empresa ou de imóveis pertencentes aos sócios. Sustentou, ainda, que os endereços constantes dos contratos sociais seriam de propriedade das empresas consorciadas ou de seus sócios, não havendo ilegalidade nisso”.
Ou seja, a prefeitura, talvez (ou não) em conluio com as duas empresas, pode ter optado por continuar restringindo acesso a dados de empresas que estão logrando um contrato de R$ 11 bilhões, e mesmo assim dá apoio a tal atividade.
Diz ainda o documento que os “endereços foram informados”, mas continuariam sem “publicidade por razões de segurança e intimidade”. Tal atitude fere a isonomia completa do processo, pois a população fica totalmente “rendida” sem saber quais as intenções das empresas e seus sócios.
Na matéria de amanhã, serão apresentados os problemas das “diligências de atestados”, completamente estapafúrdias e cheias de problemas técnicos.
Da Redação ODC.
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