Mercado Municipal de Campinas terá nova concepção arquitetônica interna

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Uma das sete maravilhas de Campinas, o Mercado Municipal de Campinas é tradicional. O aroma dos temperos vendidos no espaço evoca lembranças de quem entra no local. Atualmente, o prédio de 115 anos passa por sua primeira reforma de grande impacto que promete ampliar o potencial turístico do espaço. As intervenções incluem reforma estrutural e atualização arquitetônica e enquanto os trabalhos, com suas máquinas e ferramentas, trabalham para dar nova vida ao mercado, os permissionários continuam atendendo a população em tendas climatizadas que foram instaladas na área externa do mercado.

A continuidade do serviço foi garantida pela autarquia de Serviços Técnicos Gerais (Setec) que administra o espaço desde 4 de julho de 1983. A Setec, que completa 50 anos neste domingo, 11 de fevereiro, é responsável pelas permissões de uso para venda no local e possui uma relação de cuidado com os permissionários que fazem do Mercadão parte da trajetória de muitos campineiros.

Prova disso é a instalação da estrutura temporária no estacionamento do local, pensada para que o Mercadão não parasse durante a reforma. “Com isso, além de continuar a atender os clientes, preservamos negócios, muitos deles familiares, e empregos”, disse o presidente da Setec, Enrique Lerena.

Um ícone de Campinas, o Mercadão é parte da história da cidade e a reforma busca restaurar o prédio que estava muito desgastado com a ação do tempo. O prédio centenário será totalmente revitalizado, com recuperação da estrutura atual, ampliação da área de atendimento e padronização dos boxes. A construção do mezanino em estrutura metálica está em pleno andamento. Como projetado, o prédio também terá elevadores e banheiros na parte interna. A conclusão dos trabalhos está prevista para o segundo semestre de 2024.

A obra tem investimento de R$ 6.131.045,22, sendo R$ 5 milhões via convênio com o Ministério do Turismo e o restante por contrapartida do município.

Incentivo ao turismo

Segundo Lerena, a Setec mantém viva a história da cidade ao cuidar do Mercado Municipal. Os 120 permissionários comercializam diversos tipos de produtos. Há temperos, castanhas, secos e molhados, açougue, artigos de roupa, hortifruti e flores. As peixarias também são um ponto de parada tradicional para os campineiros, principalmente no feriado da Sexta-feira Santa. A reforma também se insere na revitalização do Centro. Outras obras estão ocorrendo, como a da avenida Campos Sales, da José Paulino, do Terminal Mercado, além dos incentivos fiscais para quem quer reformar imóveis particulares na área.

“O projeto de reforma do Mercadão inclui a criação do mezanino que terá uma praça de alimentação como a do Mercado Municipal de São Paulo. Esperamos que essa modernização impulsione o turismo no local, com moradores de Campinas e da região vindo visitar nosso mercado, não apenas para fazer suas compras, mas para conhecer as novas opções gastronômicas”, disse Lerena.

De acordo com o secretário de Infraestrutura, Carlos José Barreiro, da pasta responsável pelas obras, os serviços estão dentro do cronograma e seguindo os padrões definidos no projeto. O prédio é tombado desde 1983 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat) e, desde 1995, pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural de Campinas (Condepacc).

Já foram feitas a demolição dos boxes internos e a instalação das fundações que vão sustentar a construção do mezanino. “No momento, estamos executando o pavimento interno que inclui o mezanino, que é todo de estrutura metálica, bem como todas as estruturas de água e esgoto para os diversos boxes. Também estamos preparando as próximas etapas que contemplarão a reforma do telhado, da parte externa e de toda a alvenaria e reboco do Mercadão”, disse.

História de família

Da quarta geração de sua família a ter um negócio no Mercado Municipal de Campinas, Adriana Tavares Romero é fisioterapeuta de profissão, mas conta que é apaixonada pelo comércio e pelo Mercadão. A família possui uma peixaria, vende pescados frescos e congelados. A história da família Tavares se mistura à do próprio Mercado. “Meu bisavô paterno, David Tavares, já vendia peixe quando o Mercadão ainda era estação Carlos Botelho, e o peixe vinha de trem de Santos. E só se comercializava sardinhas”, contou.

O primeiro box da família no Mercado foi adquirido por seu bisavô em 1958. Alguns anos depois, em 1976 a família comprou outro box, um açougue. Seu pai, David Tavares Filho, se juntou a ele e abriu seu próprio açougue no Mercadão. A família chegou a ter três açougues no local. Em 1984, seu pai também abriu uma peixaria e por decisões de negócio, a família decidiu focar somente na venda dos peixes, continuando assim até hoje.

A obra é vista com muito bons olhos por Adriana que percebia que há algum tempo o espaço necessitava da reforma. “O Mercadão é um patrimônio de Campinas e precisava muito de uma revitalização. Sabíamos que não seria um período fácil para nós comerciantes, mas entendo que a prefeitura e a Setec se esforçaram muito para que os negócios tivessem o mínimo de impacto possível”, disse. Segundo ela, a experiência durante a reforma tem se mostrado melhor do que imaginava. As pessoas continuam a vir ainda que as condições não sejam tão favoráveis visto as condições próprias de uma obra. “Apesar das vendas terem diminuído um pouco, o impacto foi bem menor do que eu esperava. Vai passar logo e não vejo a hora de voltar para o prédio do Mercadão”, revelou.

As expectativas para a entrega do prédio pronto são grandes. “Vai ficar lindo. Minha peixaria vai ficar linda e tenho certeza que vai ter valido a pena passar por esse período da reforma”, disse. Assim como o presidente da Setec, Adriana acredita que a reforma vai ser muito boa para a população de Campinas que terá um lugar com mercadoria da mais alta qualidade e ainda um ponto turístico muito bom para ser visitado, com muito mais infraestrutura e opções de lazer. “Fico muito orgulhosa e feliz por estar vivenciando essa experiência e poder, em pouco tempo, voltar para o Mercadão nessa nova fase”, finalizou.

As informações são da Prefeitura de Campinas.
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