O “ataque de oportunidade” da Emdec: habilitação relâmpago em meio ao caos

É de uma malícia política fascinante. Enquanto a cidade repercutia a operação emergencial circense da semana passada e a campanha de “soft launch” da primeira-dama Maria Giovana no jornal falido da cidade, a Emdec assinou, às 22h do dia 18/05, a habilitação das empresas vencedoras. A publicacao se deu no Diario Oficial do dia seguinte.

Curiosamente, em release anterior, a prefeitura jurava de pés juntos que estava fazendo “verificação in loco aprofundada” e analisando “vínculos societários” porque a Polícia Civil exigiu. Pois bem, o parecer da Procuradoria-Geral do Município deu o “carimbo de legalidade” em tudo, ignorou o cheiro de sujeira e sacramentou o resultado na calada da noite. Um dos últimos documentos das diligencias efetuadas pela Prefeitura foi adicionado na pasta virtual ainda no dia 18/05, horas antes da decisao.

O drible no TCE com condicionante

O lance mais ousado da Comissão Especial está no item 4 do documento. Eles decidiram que vão encaminhar o processo direto para o Secretário Municipal de Transportes homologar e adjudicar o contrato. Mas, para não dizerem que desobedeceram a justiça, colocaram uma cláusula de salvaguarda: o ato fica condicionado à decisão a ser proferida pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo no processo nº TC-009270.989.26-2.

Ou seja, a Prefeitura lavou as mãos. Como se dissessem: se o Ministerio Publico quiser barrar de verdade, que segure essa batata quente. E se o sistema atual piorar ainda mais, o querido prefeito pode apontar o dedo para o MP e dar de ombros para o povo, como de habito. É o empurra-empurra da responsabilidade enquanto o sistema atual pede socorro e atitude, mais do que nunca.

O prazo do recurso e o teatro

A Emdec fixou o prazo regulamentar de 3 dias úteis para se entrar com recurso.

Essa pressa em homologar contrasta violentamente com o “ritmo de tartaruga” da analise de documentos. E acontece curiosamente dias apos o sistema passar pelo seu momento de maior mazela desde 2005.

A cidade de brinquedo ganhou donos oficiais

Agora tudo se encaixa no tabuleiro político em maio de 2026. A prefeitura precisava fechar essa licitação para limpar a mesa e tentar pavimentar uma imagem de coragem e atitude. Enquanto o vereador Otto Alejandro (PL) distraiu o público no Instagram mostrando que “correu atrás” de mudar o itinerário da linha 202 no Parque Valença, a caneta da Vila Industrial tenta assinar o destino de Campinas para os próximos 15 anos.

Mudou alguma coisa para o passageiro que está no ponto agora? Nada. Os ônibus continuam de mal a pior, passando raspando na vistoria, quebrando todos os dias e deixando muita gente a ver navios.

E torcer para que o MP não se sinta desafiado e acabe suspendendo ou anulando o processo licitatório por completo.