Semáforo quebrado por 2 horas expõe sucateamento da Emdec e falência da municipalidade

O cenário na Princesa D’Oeste ontem foi digno de um filme de ficção científica de baixo orçamento. Um semáforo travou no vermelho e ali ficou, soberano, impedindo o fluxo de uma das vias mais importantes da cidade.

O que o leitor precisa entender: em uma cidade minimamente gerida, a solução para um sinal pifado é simples e tem nome e sobrenome. Primeiro, o Agente de Mobilidade (nosso “amarelinho”), que deveria aparecer organizar o fluxo. Logo em seguida, deveria aparecer a Equipe de Manutenção, o pessoal que abre a caixa técnica e reseta o sistema.

Pois bem: nenhum dos dois apareceu com agilidade.

🧩 O Retrato do Sucateamento (ou: Onde estão os agentes?)
O desespero foi tanto que vimos motoristas descendo dos carros para cobrir as placas com panos e camisetas antes de invadir o canteiro central para fugir do bloqueio. Eles não fizeram isso por “rebeldia”, mas por puro medo de serem multados.

A pergunta que fazemos é: por que não tinha ninguém para resolver? A resposta está no sucateamento da Emdec. A empresa hoje vive o drama do “lençol curto”. Diversos setores da Emdec estão minguando, sem pessoal suficiente para a carga de trabalho de uma cidade espraiada e de 1 milhão de habitantes.

🏢 O Balcão de Convênios vs. A Cidade Real
Enquanto o técnico e o agente de rua desaparecem, a Emdec se transforma em um balcão de convênios com:

  • universidades;
  • estacionamentos de shoppings;
  • grandes redes de supermercados.

O resultado? O agente que deveria estar na Princesa D’Oeste garantindo a fluidez da via acaba tendo que se desdobrar entre inúmeras demandas, inclusive do transporte publico que carece de muita atenção por estar a cada dia pior. Chamar mais concursados? Nem pensar!

Conclusão: O Balcão Político Atropelou a Verdadeira Emdec
O transporte está largado, projetos viários sérios sumiram das pranchetas e a Emdec virou apenas um balcão político. Sempre foi, mas pelo menos antigamente ela também fazia seu trabalho.

Na “cidade de brinquedo” da Praça da Concórdia apresentada a secretários de mobilidade urbana de outras cidades, a Emdec é eficiente. Na Princesa D’Oeste real, o cidadão precisa de um pano de prato na placa porque o semáforo travou e não tem agente para organizar o fluxo e assegurar a passagem sem ser multado.

Falar de “inovação” no Prédio do Relógio é fácil. Difícil é manter o básico funcionando. O que vimos hoje na Princesa D’Oeste é a falência da gestão técnica em prol do marketing político vazio. Se falta gente para fiscalizar o transporte e falta técnico para consertar um semáforo, é porque as prioridades da Vila Industrial mudaram: saíram das ruas e foram para os conchavos.

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