A falência da gestão do trânsito e do transporte em Campinas expõe as entranhas da Emdec, a empresa que deveria estar cuidando de tudo isso, mas age como “gerente” do abandono.
As gestões Carlos José Barreiro/Vinicius Riverete jogaram o transporte público numa espiral trágica. O que foi reconstruído nas gestões Bicalho / Bittencourt, foi perdido ao longo de 14 anos.
Campinas teve o seu auge no transporte no final da década de 1980 e início da década de 1990, durante a gestão de Jurandir Fernandes, que depois deixou o governo e passou o bastão para Laurindo Junqueira.
Ambos conseguiram moldar o então falido transporte campineiro em um sistema eficiente, com a lógica tronco-alimentadora em implantação efetiva.
Após a saída de Junqueira, Jurandir Fernandes voltou ao cargo mas durante o governo Magalhães Teixeira, onde permaneceu até o seu final, deixando o cargo para o engenheiro Amando Telles Coelho.
Secretário de obras do primeiro mandato de Francisco Amaral, Telles Coelho voltou no segundo mandato como mandatário do transportes, onde comandou um verdadeiro desmonte do sistema com a implantação do transporte clandestino.
Foram quase quatro anos de esfarelamento total do transporte campineiro, algo que começou a ser recuperado durante o governo de Toninho, com Marcos Pimentel Bicalho no comando da pasta.
Renovação de frota, volta dos cobradores e reorganização das linhas foram os motes do governo, que continuou com Izalene Tiene. Com a chegada de Dr. Hélio ao poder, o avanço no transporte continuou, mas nas mãos de Gerson Bittencourt e sua equipe, advindos de São Paulo.
Foram entregues mais de 1000 ônibus zero quilômetro, as linhas foram reorganizadas e mais veículos articulados chegaram para dar conta da demanda.
Depois de gestões curtas, nas mãos de André Aranha, Sérgio Benassi, entre outros, Jonas Donizette assumiu a prefeitura e colocou Carlos José Barreiro como mandatário da Emdec, e foi quando começaram os desmandos.
O transporte começou a decair rapidamente, com renovação de frota cada vez menor. A tolerância com transportes irregulares, posteriormente legalizados, ajudaram a piorar o sistema.
Com a chegada de Ayrton Camargo e Silva à presidência da Emdec durante o primeiro ano do mandato de Dário Saadi, houve um “sopro” de esperança, diante da chegada de uma pessoa técnica ao cargo, porém durou pouco.
Ayrton não aguentou a pressão política e saiu, assim como todas as pessoas honradas que ainda existem, e deixou o caminho para Vinicius Riverete entrar. O espiral de declínio no transporte voltou a acontecer.
Decisões completamente equivocadas, desmandos, falta de comando e conivência com um trânsito e um transporte ruim transformaram a Emdec em uma pária. Ninguém manda, ninguém muda nada e a cidade segue se afundando num buraco aparentemente sem fundo.
O trânsito e o transporte de Campinas estão cada vez piores, ainda mais com um processo licitatório sob suspeita de formação de cartel para a contração de novas empresas de ônibus. Nem isso a Emdec consegue fazer certo.
Da Redação ODC.
Leia também: Maquiado, BRT de Campinas recebe visita de autoridades na única estação não construída pela prefeitura





